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27 de jun. de 2010

Saudade



Estou transcrevendo o Livro Verde, faço folha a folha chorando, não mudo nem uma letra, nada. Como pude ter escrito aquilo com vinte e um anos. Literalmente. Fui. E ele agora me inspira a não parar; o Brasil não merece, o mundo não merece. E vou apresentar aqui uma música que embalou muitas madrugadas, aproveitar para mostrar o que é saudade, creio que toda saudade, no fundo, no fundo, é saudade de nós mesmos e Dele, e quando estamos com Ele, tudo transcende, e a companheira ou companheiro neste estado, se converte em luz, ou irmãos.

Seis meses em São Carlos, e dá-lhe férias, e dá-lhe estrada. Eu e um companheiro de curso cujo cabelo liso escorrido chegava na cintura de um corpo magérrimo de um metro e noventa, tratamos de angariar fundos para uma reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) que ocorreria em Belém. Partimos de ônibus e carôna com o pouco que conseguimos. Numa beira de estrada no Maranhão, nos deparamos com um ônibus que vinha de Minas Gerais com um grupo totalmente feminino rumo a reunião. Dois minutos, e partia o ônibus, com nós dois sendo ovacionados no meio das mineiras, companhia que seguiu até depois, quando esticamos a viagem até a praia de Ajuruteua, próxima a ilha de Marajó.
A irmandade do grupo era incrível, sem restrições, sem sacanagem, só naturalidade. Lembro-me de uma manhã, o grupo tinha pernoitado em cabanas de palha a beira da praia. Ao amanhecer, aquela alvorada me conduziu até a beira mar, me despi e entrei,  então vi que estava acompanhado. Minha amiga era uma mineirinha loira de olhos azuis. Aquele sol surgindo, e o mar... e não nos vimos, nos banhamos e saímos, estávamos inertes no amor do eu, este ser que temos que acender, zelar, conhecer. No trato com o outro a pureza é fundamental, não se esquecendo que as misturas acontecem a cada segundo.
Para um coração espelhado na verdadade, basta a observação ou alguns relacionamentos para valorizarmos a saudade que ao menos pode ser verdadeira.



Ainda com saudades?    Saudade



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19 de jun. de 2010

Londrina



Entre Santos onde cursava engenharia e São Carlos, cursar física em Londrina. Super jovem e sozinho caminhava carregando a certeza de não compactuar com esta sociedade, definitivamente procurava algo novo.
No Paraná com suas casas de madeira e sua terra vermelha, na rua atrás do restaurante universitário  facilmente contaríamos umas quinze repúblicas dos mais variados tipos e arranjos, e eu o Paulista logo fui apelidado de Maomé, barbudo, cabeludo, e esfarrapado, lembro-me de que na época tinha o hábito de utilizar tudo até o final (literalmente). Um dia uma estudante de medicina me chamou de lado no bar em frente de onde morava e disse "Olha não é por nada, mas eu estive lá em casa e vi esta calça, fica com ela para você, a sua esta meio... Agradeci, e não me lembro de ter utilizado a tal da calça, gostava mesmo é da minha.
Foi neste bar que no final de mais um dia tomei uma cerveja e fui dormir, saudade danada de São Paulo de minha namorada Soraya. Só sei que adormeci, quando acordei tinha tido uma das experiências mais marcantes de minha vida. Fui parar em Santo André, lembro-me perfeitamente, eu estava em seu quarto e a via dormindo, ainda observei o fato de tudo estar envolto em luz, e os detalhes de sua cama, percebia claramente que não estava ali fisicamente, e que também não se tratava de um sonho. Morta a saudade, acordei em Londrina, e depois daquela experiência, vi que havia algo muito mais poderoso que a matéria. O pensamento.



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